
Depois de um recesso de dois anos e meio das atividades clinicas práticas volto a ativa nesse mês de Maio de 2012. Vou atender em domicilio no Municipio de Bombinhas e adjacências, colocando a disposição meu conhecimento e experiência na área clinica médica de cães e gatos. Necessário foi esse afastamento dos atendimentos clinicos para uma reavaliação de todo meu trabalho, tanto quanto para ter o tempo de me dedicar aos meus artigos, livros, ao site, consultorias e ações na proteção animal.
Mais uma noticia, entre inúmeras já publicadas, sobre um cão que ataca e mata uma criança. Li a noticia, pensei, senti, raciocinei e continuo dizendo: “Um cão pode ser uma arma apontada para você!” Tenho até um artigo no item noticia do meu site que intitulei com essa frase. Acessem e leiam. Sempre que vou buscar algum assunto para o meu site, penso que estou me repetindo sem parar desde que montei esse espaço virtual para divulgar minhas ideias. Eu mesma canso de escrever sobre o mesmo mote. Mas entendo ser necessário bater na mesma tecla, já que nada muda. Parece, apenas parece, aos nossos olhos que as pessoas mudam, que a sociedade muda. Pura ilusão.
Com o advento da tecnologia na medicina humana, seria inevitável que se estendesse para a medicina Veterinária todo esse aparato que dá suporte ao profissional. Mas tenho percebido que está havendo uma dependência clinica exagerada a esses meios de diagnósticos, deixando a maioria dos profissionais atrelados a essas máquinas. A impressão que tenho é que esqueceram de usar a semiologia ( técnicas de exames clinicos básicos e fundamentais), de fazerem uma boa anamnese com o dono do animal, de fazer uso da observação analitica sobre todo o contexto de vida de um animal e de um ser humano, já que o cão ou gato é co-dependente do ambiente dessas pessoas, e me parece, ainda, que esqueceram de raciocinar.
Escrever para o site é minha tarefa entre tantas outras que me propus com esse trabalho de ação na proteção dos cães e gatos. Sou humana, portanto, não fico deitada quase que o dia inteiro, não fico latindo para quem se aproxima da minha morada e não marco território de hora em hora com urina. Essas são atividades do cidadão canino Sir Wilbor Cukzão ( de origem britânica e russa o nome dele). Há dias estou rodeada de pensares sobre o que escrever para postagem no meu site. Cheguei a pedir ajuda – ideia – para os amigos do facebook . Vieram dois temas, ambos bons e que estão pautados para futuras publicações, mas não me motivaram. Escrever sem motivação é obrigação e para mim não vale. Não sei rezar ajoelhada.
A vida compartilhada com a sociedade humana atual faz dos animais objetos da insanidade humana. Isso me choca. Me choca quando me deparo com o mundo pet consumindo a saúde dos cães e gatos, e me choca quando ouço histórias como essa da cachorra que foi estuprada por um cidadão perdido e consumido pela quimica do crack, que desliga a consciência de um ser humano, tornando-o o animal que todos temos em nós. Instintos, impulsos, ações e reações. Esses mecanismos bio- emocionais nos diferenciam de um bicho. Nós temos amplas condições de auto-controle do que é disparado pela via do impulso instintivo, tranformando nossas reações em gestos que redundem em respeito. Pelo menos é para ser assim.
A Rute e o Bolão são dois gatos jovens que foram adotados pelas mãos generosas da Ana Luiza Halfen. Vivem na casa dela com mais dezessete gatos e alguns cães, todos eles oriundos do abandono ou descaso com esses animais. Quando estava clinicando em Porto Alegre ainda, atendi uma gatinha dela portando a Peritonite Infecciosa Felina, já na fase neurológica grave. Na época optamos – ou eu sugeri – a eutanásia. Frente a doenças com danos neurologicos, que deixam sequelas e impedem uma vida digna para um bicho, penso que a eutanásia seja a melhor conduta clinica e do coração amoroso de um ser humano que tem plena consciência do sofrimento desnecessário ao animal. Eu tenho essa compaixão firme em mim.
Paloma é da raça Bichon Frise , tem quase nove anos e é a cachorrinha de estimação da Tânia. Já comecei a falar dessa doença progressiva dos rins (IRC), que a Paloma é portadora em outra postagem do site. Intitulei: ” Cálculos de Bexiga e Cistos Renais – a História de Paloma e Tânia”. Nesse parte I do caso conto toda uma história de vida dessas duas personagens desses temas. Falo do apego ( que a Tãnia aprendeu a lidar com esse sentimento) e do amor incondiconal dela para com a sua cachorrinha, assim como descrevo a situação clinica da Paloma frente as patologias citadas. Ficou um texto longo e entremeado de linhas de raciocionio que eu fazia a respeito da situação em que a Paloma se encontrava.
Lá venho eu com meus pensares e criticas ( bem construtivas, que fique claro aos que possam não me compreender) sobre a situação atual desses animais. Há dias que penso em largar tudo o que se refere a cão, gato, dono, proteção e por tabela a profissão de Médica Veterinária. Me sinto tão cansada desse tema, dessa realidade, dessa luta – no caso minha, de escrever, do site, de tudo que seja sobre esse tema chatinho que denomino de “mundo pet”. São quase 25 anos debatendo isso, vivendo esse movimento social, lutando na cosncientização da proteção (real) dos cães e gatos. Satura , não tem como não existir esse “cansaço”.
Com compromisso firmado comigo mesma preciso manter meu site em dia. Mantê-lo em dia é deixar algo para que todos possamos parar e pensar; nem que seja por um minuto de leitura. Estou envolvida com estudos para aprofundar todos esses pensares que me invadem e me fazem sedimentar em fundamentos teóricos deixados por tantos outros que observaram a vida e seu ritmo. Com isso hoje deixo, mais uma vez, um poema, alimento da alma que voa…E estou em vôo perene.



